Há dez anos, nesta semana, uma máquina sentou-se em frente ao maior jogador de jogos de tabuleiro do planeta, dentro de um hotel em Seul, Coreia do Sul. O jogo era Go. Ele tem mais de 3.000 anos e tem mais posições possíveis em tabuleiros do que átomos no universo observável. Ninguém achava que um computador poderia vencer essa partida, pelo menos por mais uma década. A máquina venceu quatro jogos de cinco. Mas o placar não foi a história, e sim um único movimento durante o Jogo 2. Mova 37. AlphaGo colocou uma pedra em uma posição tão estranha que os comentaristas que transmitiam a partida ao vivo acharam que o sistema estava com falha. Jogadores profissionais de Go que assistiam ao redor do mundo chamaram isso de erro em tempo real. Mas não foi um erro. Acabou sendo uma das jogadas mais brilhantes de toda a história de 3.000 anos do jogo. E uma máquina inventou isso sozinha. AlphaGo calculou que as chances de qualquer humano fazer esse movimento eram cerca de uma em dez mil. Mesmo assim, ele executou o lance e esse movimento foi o que venceu o jogo. Lee Sedol, o campeão mundial sentado do outro lado do tabuleiro, ficou olhando por mais de doze minutos tentando processar o que aconteceu. ...